quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Quando seu livro for lançado, você será apenas mais um nome num mar de gente. Mas se já for conhecido, mesmo que num pequeno nicho, muita coisa muda."

Criador e criatura.
Ele é escritor, fantasista, autor de uma coletânea de livros que recontam a história de um país muito conhecido. Ele é Eric Musashi, autor de Os Herdeiros dos Titãs! (Momento entrevistador Soares/Gabriela... hahaha)

Hoje nosso espaço vai para um cara que considero vencedor, pois foge da modinha literária atual ou seja, não escrevi o que você gosta de ler, mas o que ele gosta (e acabou agradando muita gente).

Vamos lá?


 
Alec Silva: Eric, quando você se descobriu escritor e quais foram as principais influências?
Quetabel será uma deusa ou uma farsa? (Arte de M. C. Krauss)
Eric Musashi: Eu sempre gostei muito de realismo. Na escola, se lê muito leitores nacionais, e eu gostava de algumas ironias de Machado de Assis. Mas o que mais gostei de autores brasileiros foi Alvares de Azevedo.
Para escrever, entretanto, busquei influências lá fora. Meu nome artístico não é Eric Musashi à toa: quando a editora pediu um nome forte, mesmo que fictício, resolvi homenagear um dos melhores livros que já li, e que era o meu favorito quando escrevi Os Herdeiros dos Titãs, em 2004. Musashi, de Eiji Yoshikawa.
Hoje, tenho outras fortes influências, que serão sentidas em futuros lançamentos. Dentre elas, a mais forte é James Clavell, autor de Tai-Pan e Shogun, e tido como criador do romance moderno.
Alec Silva: Quando surgiu a ideia para Os Herdeiros dos Titãs?
Uma antologia que deve ser lida e relida (ainda não li... --).
Eric Musashi: No final de 2003. Um amigo de uma seita esotérica vivia me insistindo para participar, me passava livros sobre o tema - de redação sofrível, aliás. Não citarei nomes para preservar o autor.
Então, como sempre gostei de história e mitologia, logo comecei a ler sobre Atlântida. E aí, vendo mitos de uma rainha que viveu por muitos séculos através de certos ritos não farei spoiler do livro 2, A Mão do Destino, ok? , imediatamente surgiu em minha cabeça a trama central, de Téoder, que ela obrigou a matar a própria esposa, e Arion, seu filho, em conflito com ele.
Logo no começo, eu já tinha o esqueleto da trama e o final, além das mensagens que seriam passadas. Comecei, então, a criar o mundo, baseando-me em muitas coisas. Há fortes influências ali de ideais nórdicos (o paraíso alcançado pela bravura) e do Japão feudal (senhores feudais líderes de clãs guerreiros e militares numa camada superior aos civis), mas fui influenciado por muitas outras coisas. O resultado foi um mundo único, muito além do que eu imaginava de início. Pensei, "bem, escreverei umas 200 páginas", e quando vi, já tinha material para cinco vezes isso.
Alec Silva: Desculpa a comparação, mas é inevitável não pensar em Tolkien. Tal comparação, para você, é um elogio ou uma ofensa? Por quê?
Eric Musashi: Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Tolkien, embora não tenha sido o primeiro a criar um mundo fantástico (Conan, de Robert Ervin Howard, o precedeu e, ao meu ver, foi mais bem-sucedido na tarefa), é a referência quando se trata do assunto. Assim, embora meu estilo seja outro, uma comparação é tida como elogio. Por quê? Pois quando se compara com Tolkien, o intuito é mostrar que se conseguiu a originalidade e a complexidade em nível semelhante.
Diferente de Tolkien, escrevo num mundo mais humano, sujo, cheio de defeitos e privações. Meu mundo tem países, dentro desses países, classes sociais e rivalidades entre culturas. Tem sotaques, as línguas se transformam sem parar ao longo dos anos, os governos são corruptos, o comércio enriquece e arruína pessoas e nações. Existem lugares em que os costumes se degradaram e a família ruiu (como em Catebete)... Bem, toda sorte de diversidade, como no nosso mundo. E, também como no nosso mundo, não há nada ideal, como os elfos de Tolkien.
Uma fantasia simples e encantadora.
Meus dragões são animais do mundo palpável que não cospem fogo, não há raças humanóides há, por outro lado, etnias de culturas de humanos , e o que se pode chamar de "magia" é o potencial inato do homem de moldar a realidade. Acho que está mais para ficção científica.
Alec Silva: Ou fantasia cientifica?

entrevista.
Eric Musashi: Não sei, pois não há tecnologia avançada. O ideal é classificar como fantasia épica, mesmo.
Alec Silva: Por que esperou tanto tempo para publicar a obra?
Eric Musashi: Pode ter certeza de que não foi uma escolha minha! Faltou grana, mesmo. Eu entrava em contato com as editoras, e, sem nem conhecer o livro, diziam a resposta-padrão: "Não publicamos novos autores."
Então, desiludido, continuei fazendo o que mais gosto: escrevi! Criei outros livros, e hoje não me arrependo de não ter insistido em publicar o livro na marra. Houve editoras de médio porte, como a Litteris, que me mandaram o contrato na carta-resposta, mas eu não tinha condições de pagar.
Mapa da ilha-continente.
O melhor disso é que pude mudar algumas coisas no passado de Grabatal, e era livre para isso, pois não havia nenhum livro lançado. Melhorei, inclusive, a redação dos primeiros capítulos de Os Herdeiros dos Titãs - De Lutas e Ideais. Mas num propósito me mantive: não mudar nenhum acontecimento, ou o roteiro.
Hoje, sou um autor com um livro lançado de oito por lançar. Acho bom, isso.
Alec Silva: Na cronologia, quais são os títulos até o momento que abrangem o universo que você criou?
Eric Musashi: Os Herdeiros dos Titãs, que a editora propôs como trilogia (beiram mil páginas), farei como dualogia: De Lutas e Ideais, já publicado, e A Mão do Destino, para muito em breve.
Em seguida, na ordem que foram escritos, temos Linara, de cerca de 600 páginas, que se passa em Ticêmis, nação perto do Mar Côldius (Cáspio), cerca de três anos depois do fim de Os Herdeiros dos Titãs.
O Trono do Dragão, em dois volumes, O Conto (300 páginas) e O Relato (550 páginas), em Maral, nação do leste asiático, que começa uma década e meia antes de OHdT, e termina quatro anos depois.
A Montanha e o Mar, uma trilogia: O Jatitano (380 pgs), De Sangue e Natureza (390 pgs) e Além da Verdade (360 pgs). Este, novamente em Grabatal, começa quinze anos depois de OHdT, e termina após cinco anos. Traz uma nova realidade, que já será meio deduzida com o desfecho de Os Herdeiros dos Titãs.
Além desse, há Antologia dos Titãs, contos, noveletas e uma novela escritos em 2010 e 2011, desde 38 séculos antes de OHdT até mil anos antes. Está publicado em ebook no Bookess, e em breve sairá para Kindle e outros leitores pela editora Cultura. É o passado que levou um truculento povo de guerreiros até o complexo Reino de Atala.
Uma das capas mais lindas que já vi.
Alec Silva: Além dessa enorme cronologia, quais são seus projetos literários daqui para frente?
Eric Silva: Ainda reluto em deixar esse universo. O meu compromisso é trazer sagas que podem ser lidas independente de outras, embora se passem no mesmo mundo. É assim com as quatro sagas citadas, e também com a Antologia.
Assim, um projeto futuro é escrever uma dualogia em Leongraba (como os atalais chamam as Américas), cerca de 100 anos depois do fim de A Montanha e o Mar.
Também enviei um conto para o concurso FC do B, concorrendo a uma participação na terceira edição (2010-2011).
Além disso, fora desse mundo, tenho um projeto relativamente adiantado com meu ilustre entrevistador.
Alec Silva: Isso ainda vai ficar em top secret.
Eric Musashi: Bem, não falei nada além da existência. (risos)
Alec Silva: Para concluir, quais dicas você daria a um aspirante a escritor, algo que não lhe disseram quando você era um?
Eric Musashi: Posso dar muitas dicas, pois aprendi quase tudo por tentativa e erro - e não precisa ser assim com todo mundo.
A primeira coisa, é se fazer conhecido. Crie um blog, faça uma conta no twitter, poste trechos de seu livro, capítulos, contos relacionados. Quando seu livro for lançado, você será apenas mais um nome num mar de gente. Mas se já for conhecido, mesmo que num pequeno nicho, muita coisa muda.
Quando for publicar, brigue para que saia como quer. Falo desde a diagramação até a capa e o preço. As editoras gostam de impor, mas elas o fazem enchendo suas argumentações de motivos e explicações complicadas. No fundo, aproveitam-se do fato de você ser um inexperiente. Por sorte, meu livro saiu com uma capa linda, que vive sendo elogiada, e diagramação idem. Mas o preço saiu alto costume no Brasil, infelizmente. O resultado é que vendo no que acho justo, e pouco a pouco vou retirando meus livros de lá, para vender sozinho.
Outra dica: submeta seu texto à leitura de outros autores. Não basta que um amigo intelectual leia; é bom que seja outro autor. Ele apontará coisas que quem não escreve, ainda que não ache satisfatória certa passagem, não saberá apontar.
O livro e eu.
Bem, no mais é: escreva sempre. Se terminou um livro, e não consegue publicá-lo, siga dando vazão às ideias. Quando começar a publicar, poderá escolher, avaliar, comparar seus próprios trabalhos. E terá todo um universo a ser exposto para os leitores.
Alec Silva: Agradeço pelo tempo cedido a uma entrevista.
Eric Musashi: Eu é que agradeço pela oportunidade, Alec. Para quem quiser conhecer melhor minha obra e seu mundo, deixo o endereço do blog dedicado a ela.

5 comentários:

Eric Musashi disse...

Ficou muito boa a entrevista.
Espero que leia (e releia, rs) a Antologia!

Alec Silva disse...

Farei isso assim que puder, ok?


Abraços.

pedro henrique disse...

Muito boa a entrevista.Parabéns meu guri tudo de bom !!

Alec Silva disse...

Opa!
Agradeço em nome de ambas as partes envolvidas!

Anônimo disse...

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